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Pílula do câncer (Fosfoetanolamina Sintética)

Saúde e Bem-estar

A pílula do câncer (Fosfoetanolamina Sintética), de acordo com o seu criador, é capaz de curar vários tipos de câncer, apesar de testes com humanos não terem sido realizados.
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Podemos definir o câncer como uma doença caracterizada pelo crescimento desordenado de células. Essa ocorrência origina tumores malignos, que podem espalhar-se por diversas partes do corpo. Existem mais de 100 tipos diferentes de câncer, alguns de tratamento rápido e outros de tratamento relativamente complicado.

Diante dos números crescentes de ocorrência dessa doença, principalmente em razão do aumento de hábitos pouco saudáveis, é frequente a busca por novos tratamentos. Tradicionalmente as técnicas mais utilizadas são cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Recentemente um novo tratamento surgiu e ganhou atenção em todo o Brasil: a fosfoetanolamina sintética.

O que é a fosfoetanolamina sintética?

A fosfoetanolamina sintética, também chamada de “pílula do câncer”, é uma substância que foi desenvolvida pelo pesquisador Gilberto Chierice, da Universidade de São Paulo (USP), do campus de São Carlos. O pesquisador responsável pela pílula afirma que ela atua em diferentes tipos de câncer, o que levou a uma grande busca pelo produto.

Vale destacar, no entanto, que, apesar da afirmação de eficácia, não foram feitos estudos clínicos controlados em seres humanos, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autorizou a produção da substância, que não pode ser, portanto, chamada de medicamento. Ao começar a distribuição, os pesquisadores possuíam apenas os resultados de estudos feitos em camundongos.

Por que várias pessoas procuraram a Justiça para conseguir a substância?

Por mais de vinte anos, a fosfoetanolamina sintética foi distribuída para pessoas que procuravam a Universidade, entretanto, em junho de 2014, o Instituto de Química de São Carlos estabeleceu o fim da produção da pílula, o que levou várias pessoas a entrarem na Justiça em busca da liberação do produto. A partir daí, teve início uma série de disputas judiciais para liberar ou não a substância.

Diante da disputa judicial e da pressão da população, o governo anunciou, em novembro de 2015, que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) investiria 10 milhões de reais na pesquisa a respeito da fosfoetanolamina. Os primeiros resultados foram publicados em março de 2016.

Mesmo com a substância em fase de teste, o Senado aprovou no dia 22 de março de 2016 o projeto de lei que permite a fabricação e distribuição da substância. Segundo o projeto, “ficam permitidos a produção, manufatura, importação, distribuição, prescrição, dispensação, posse ou uso da fosfoetanolamina sintética, direcionados aos usos de que trata esta Lei, independentemente de registro sanitário, em caráter excepcional, enquanto estiverem em curso estudos clínicos acerca dessa substância.” O projeto segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff.

Qual é a importância de estudos científicos sobre a ação da fosfoetanolamina em humanos?

Apesar de ter sido distribuída por mais de 20 anos pela USP, a substância não foi testada cientificamente em seres humanos. Isso significa que não se sabe se há riscos em relação ao uso do produto e se a “pílula do câncer” é realmente eficaz.

Muitas pessoas, no entanto, afirmam que, por ser usada em pacientes terminais, a pílula seria como uma última tentativa na luta contra a doença. Porém, devemos sempre ter em mente que um produto que os seus efeitos colaterais não são conhecidos pode trazer dor e maior sofrimento aos pacientes. Sendo assim, não é porque uma pessoa encontra-se em estado terminal que devemos expô-la a riscos.

Quais foram os resultados dos testes iniciais com a fosfoetanolamina sintética?

No dia 18 de março de 2016, os primeiros resultados de testes in vitro com fosfoetanolamina sintética foram apresentados e demonstraram pouca eficiência. O primeiro problema diz respeito à concentração de fosfoetanolamina na cápsula, que era menor que o esperado. Observou-se também a presença de compostos que não deveriam estar presentes. Os componentes encontrados foram água, monoetanolamina protonada, fosfobisetanolamina e fosfatos de cálcio, magnésio, ferro, manganês, alumínio, zinco e bário.

Além da quantidade baixa da substância e da composição incorreta, observou-se que a fosfoetanolamina não apresentou atividade citotóxica (capacidade de destruir as células cancerígenas) nem antiproliferativa (capacidade de impedir que as células multipliquem-se). A única substância que apresentou atividade contra as células cancerígenas foi a monoetanolamina, mas com eficácia relativamente baixa.

Apesar de os testes in vitro não apresentarem os resultados esperados, testes com material in vivo devem ser realizados. Segundo o relatório publicado por responsáveis pelo estudo, uma molécula não citotóxica ou citotóxica em altas concentrações pode apresentar, conforme evidenciam os trabalhos publicados com fosfoetanolamina, potencial antitumoral in vivo, possivelmente por depender de rotas metabólicas para desencadear sua ação. Sendo assim, os resultados preliminares não são definitivos e necessitam de maiores testes.

Os médicos podem receitar a fosfoetanolamina sintética?

A fosfoetanolamina sintética não é um medicamento liberado pela Anvisa e, portanto, um médico não pode prescrevê-la como medicamento. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo informou ainda que, caso um médico recomende o uso do produto, poderá sofrer advertência e até mesmo cassação.

ATENÇÃO: Os relatórios produzidos pelos laboratórios que estudam a fosfoetanolamina são publicados no site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Clique aqui e acompanhe os estudos!


Por Ma. Vanessa dos Santos

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