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O que foi a Batalha de Stalingrado?

O que é História?

O que foi a Batalha de Stalingrado? Foi uma das batalhas mais importantes da Segunda Guerra Mundial, travada no front oriental entre alemães e soviéticos.
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  • O que foi a Batalha de Stalingrado?

Uma das batalhas mais importantes travadas durante a Segunda Guerra Mundial ocorreu na cidade russa de Stalingrado (hoje, Volgogrado), então pertencente à União Soviética. A Batalha de Stalingrado desenrolou-se de 17 de julho de 1942 a 2 de fevereiro de 1943 e foi um marco do enfrentamento direto entre alemães e soviéticos no front europeu oriental. Mas por que essa batalha é considerada tão importante? E qual foi o resultado final dela decorrente? É o que veremos a seguir.

  • Ruptura entre alemães e soviéticos

Para compreendermos o que deu origem à Batalha de Stalingrado, precisamos nos recordar que a União Soviética e a Alemanha nazista firmaram o famoso Pacto Germano-Soviético de não agressão, em 23 de agosto de 1939, alguns dias antes do início da Segunda Guerra. Esse pacto assegurou aos alemães a invasão da Polônia e a incursão de tropas sobre outros países, sem que, com isso, a URSS se envolvesse no conflito.

No entanto, esse acordo mais cedo ou mais tarde seria rompido, e a ruptura ocorreu em 1941 com a Operação Barbarossa – um ataque coordenado das Forças Armadas alemãs contra a URSS. Os ataques da Operação Barbarossa tinham o objetivo de dominar completamente o território soviético, assim como havia ocorrido com a Polônia, mas Hitler e seus oficiais não conseguiram completar seu cerco estratégico e a operação ficou pelas metades.

Então, nos dois anos subsequentes, 1942 e 1943, as batalhas travadas no Leste Europeu entre alemães e soviéticos foram desdobramentos da tentativa inicial de domínio por parte dos nazistas. A Batalha de Stalingrado foi a mais emblemática delas.

  • Desenvolvimento da batalha

A cidade de Stalingrado estava situada na região do Cáucaso, às margens do rio Volga, sendo estrategicamente importante, já que ela estava no centro das rotas fluvial e ferroviária das matérias-primas de petróleo e minério de ferro caucasianos. Dominar Stalingrado significava para os nazistas controlar parte significativa da indústria de base da URSS, além de estrangular o país, deixando Moscou isolada. Sendo assim, grande parte do efetivo alemão foi direcionado a Stalingrado. O ataque ficou a encargo do General Paulus, comandante do VI Exército alemão.

As manobras começaram em 17 de julho de 1942, mas os ataques maciços efetivaram-se a partir do dia 21 de agosto, quando a infantaria e a divisão de tanques conseguiram cruzar o rio Don e rumar em direção a Volga e a Stalingrado, como narra o historiador Antony Beevor:

No amanhecer do dia 21 de agosto, a infantaria do 51º Corpo cruzou o Don em botes de assalto. Uma cabeça de ponte foi conquistada, pontes flutuantes foram construídas através do rio e, na tarde seguinte, a 16ª Divisão Panzer do tenente-coronel Hans Hube começou a avançar. Pouco antes das primeiras luzes de 23 de agosto, o batalhão da vanguarda panzer do Hube, comandado pelo coronel Hyazinth Graf Strachwitz, avançou em direção ao sol nascente e a Stalingrado, situada a apenas 65 quilômetros a leste. A estepe do Don, uma extensão de capim esturricado, estava dura como pedra. [1]

Quando os pelotões chegaram a Stalingrado, os comandantes ainda contaram com o apoio aéreo de 1.200 aviões. O ataque de 23 de agosto foi um dos mais pesados da Segunda Guerra, certamente o mais concentrado do front oriental. Mil toneladas de bombas incendiárias foram lançadas sobre Stalingrado. 40 mil civis morreram apenas nos dois primeiros dias de ataque, civis esses que não sabiam do plano da invasão, como destaca Beevor:

Os habitantes da cidade nunca esqueceriam aquele domingo, 23 de agosto de 1942. Alheios à aproximação das forças alemãs, civis faziam convescote ao sol no centro de uma cidade que se estendia por mais de 30 quilômetros ao longo da curva da margem oeste do Volga. Nas ruas, alto-falantes transmitiram alertas de ataques aéreos, mas só quando as baterias antiaéreas começaram a disparar as pessoas correram para se abrigar. [2]

A resistência ao ataque alemão ficou inicialmente sob o comando do general Chuikov, comandante do 62º Exército soviético. Evitar a queda de Stalingrado era uma das prioridades máximas de Josef Stalin, e sua defesa deveria ser intransigente, mesmo com combatentes famintos e desequipados. Uma das medidas mais cruéis de Stalin para com o Exército Vermelho ocorreu nesse contexto. Tratava-se da Ordem n.º 227, que autorizava o fuzilamento sumário de qualquer combatente que “demonstrasse medo ou hesitação”.

  • Vitória soviética

Os embates arrastaram-se ao longo dos três meses seguintes, com sucessivas investidas alemãs, mas os rumos mudaram a partir de novembro com a chegada do inverno. Nos dois meses finais de 1942, as tropas alemãs já não tinham o mesmo poder de fogo e a tenacidade de agosto. Ademais, o inverno do Leste já havia posto a perder as investidas da Operação Barbarossa no ano anterior. A solução era redefinir a estratégia e recuar, mas Hitler obrigou o general Paulus e seus comandados a permanecerem em seus postos.

Ao mesmo tempo, as tropas de Chuikov começavam a receber reforços do general Zukov, que tinha sob seu controle os exércitos de Vatuin, Rokossovsky e Yeremenko. Entre os dias 19 e 23 de novembro, teve início a contraofensiva soviética, que, com a “ajuda” do inverno, pôs fim ao ataque alemão. A batalha terminou oficialmente em 2 de fevereiro do ano seguinte.

NOTAS

[1] BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Trad. Cristina Cavalcanti. Editora Record: Rio de Janeiro, 2015. p. 381.

[2] Ibid. p. 382.


Por Me. Cláudio Fernandes

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