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Cultura Urbana

História

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No período medieval, a maioria das pessoas não sabia ler e escrever. Os pobres não tinham acesso à escola e os nobres não precisavam ser alfabetizados para serem cavalheiros e cobrarem os tributos dos servos. Quem estudava e escrevia livros era o clero, especialmente os monges.

O desenvolvimento do comércio e da vida urbana provocou uma revolução cultural. O crescimento do urbano estimulou a vida intelectual. Os donos das cidades (comerciantes e artífices), os chamados burgueses, iniciaram uma luta contra a velha cultura dos mosteiros (escolas religiosas dos burgos rurais).

Neste século, por estes motivos houve o triunfo de uma nova instituição: a Universidade. Da mesma forma como esses burgueses criaram suas associações (Guildas e Corporações), eles se associaram e criaram a Universidade (uma espécie de corporação da cultura).

A fim de se libertarem do forte poder dos bispos, os burgueses procuraram o apoio do Papa que, nessa época (século XIII), estava querendo impor o seu poder sobre as Igrejas locais dominadas pelos bispos.
Ela surgiu em cidades como Oxford (Inglaterra – esta universidade fundada no século XII, é até hoje uma das mais importantes do mundo), Paris (França) e Bolonha (Itália).

Essas universidades eram protegidas pela igreja, por grandes senhores feudais e por moradores ricos das cidades.Os professores da Universidade eram escolhidos entre o clero. São Tomás de Aquino tornou-se, como mestre da universidade, a mais importante figura do pensamento do século XIII.

Nas universidades se estudava Medicina, Direito, Teologia (estudo da Bíblia e das idéias racionais sobre a religião cristã), filosofia. As ciências da natureza não eram muito desenvolvidas e nas Universidades praticamente se repetia o que os gregos e os árabes já haviam ensinado. Na Universidade, os problemas da época não eram estudados. Nela, os homens eram preparados para conhecerem o passado e viverem o seu presente sem criticá-lo.

Os estudantes destas universidades eram filhos de nobres vindos de toda Europa. As universidades, portanto, formavam apenas pessoas da elite feudal. Todos os estudos, medicina, direito, artes, ciências, letras e teologia, eram feitos em latim. A língua não era problema para eles, por que todos falavam e escreviam em latim.

O método de ensino era chamado de escolástica. Os alunos estudavam o texto de um grande autor do passado. Por exemplo, os gregos Platão e Aristóteles, interpretados pelos mestres da Igreja Medieval, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Os alunos e seus mestres faziam comentário sobre o texto e o debatiam. Entretanto nesses debates ninguém questionava o que os grandes autores diziam. A autoridades deles era absoluta. Foi por isso que, séculos mais tarde, a escolástica foi acusada de ser uma forma de estudo dogmática, ou seja, bitolada.

O mais importante de tudo é que as universidades apresentavam uma grande novidade: aos poucos, a vida intelectual ia deixando de ser totalmente ligada à Igreja. O pensamento estava adquirindo autonomia em relação ao clero.

As artes (arquitetura, escultura e pintura) tornaram-se uma expressão do domínio da vida urbana sobre a vida rural.
Embora tenha se aproveitado da construção românica, a arquitetura deixou-nos igrejas góticas belas e ousadas, repletas de luz, ao contrário das românicas, cheias de sombras.

As Igrejas em estilo românico eram construídas em pedra, sendo que as habitações particulares eram em madeira ou tijolo. O interior era colorido e as paredes e o teto pintado em cores variadas, usando-se na decoração tapeçarias bordadas. O plano das igrejas era o comumente das basílicas, consistindo de uma nave central e duas alas ou naves laterais, mas também existiam outros formatos.

O elemento decorativo e a escultura nas igrejas românicas tinham freqüentemente como tema os monstros, dada a influencia da mitologia celta e germânica. A escultura também fugiu aos temas românicos (entre eles a morte) e tomou a vida como modelo, utilizando-se principalmente da flora e da fauna. O segundo estilo medieval, o gótico não criou raízes na Itália.

O nome do estilo gótico deve-se ao italiano Vassari, que o considerava bárbaro, isto é, dos godos. O emprego das ogivas e dos arcobotantes permitiu uma grande leveza interior: já que as cúpulas são sustentadas por esses arcos que ficavam no interior do edifício, as colunas podem ser finas e elegantes, e as paredes, não sustentando mais o peso do teto, podem ser rasgadas, para permitir a iluminação, e assim apareceu à arte dos vitrais.

Nas cátedras góticas, os elementos decorativos são diferentes das igrejas românicas. Desaparecem os animais, substituídos por estilizações de plantas; nessa arte, essencialmente aristocrática, torna-se comuns à figura de cavaleiro e esculturas de tamanho natural nos sarcófagos dos grandes personagens.

Os santos continuavam sendo esculpidos; no entanto, sua fisionomia já não apresentava tanta santidade, sendo mais real e mais humana. Os traços pessoais são fielmente copiados, ou no máximo ligeiramente estilizados, mas permanecem facilmente reconhecíveis e são em muitos casos notáveis retratos psicológicos. O homem emergia finalmente de dentro da pedra: era uma figura nobre e digna, ressurgindo dos escombros deixados pelas invasões bárbaras, tendo atravessado um longo período de nove séculos de conquistas e vitórias.

Texto escrito pela Professora Patrícia Barboza da Silva licenciada pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande – FURG.
Colunista Brasil Escola

Referência Bibliográfica 
- FERREIRA, José Roberto Martins, História. São Paulo: FTD; 1997. 
- MORAES, José Geraldo. Caminho das Civilizações. São Paulo: Atual. 1994.

Idade Média - História - Brasil Escola

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