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Elementos mitológicos e religiosos – traços preponderantes na origem de alguns vocábulos

Gramática

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Compreender a etimologia (estudo da origem e formação das palavras de uma determinada língua, segundo o Dicionário Michaelis) é, sobretudo, propor-se a uma reflexão um tanto quanto aprofundada acerca da existência destas. Dessa forma, tem-se que tal aspecto, a princípio, encontra-se condicionado somente à existência de outras línguas, das quais se originaram uma infinidade de vocábulos que conhecemos. Contudo, vale mencionar que além de tais influências existem também outras, como é o caso da religião e da mitologia.


Como sabemos, esta última representa um traço decisivo para que possamos entender as peculiaridades inerentes à civilização grega, uma vez que os fatos históricos, políticos e econômicos que se referem a estes povos (os gregos) eram explicados por meio de lendas e mitos, visto que naquela época a razão, fator determinante da ciência, ainda não se fazia presente.


Com base nesse objetivo, os gregos, usufruindo de sua capacidade imaginativa, criavam personagens e figuras mitológicas distintas, como heróis, deuses e ninfas. Portanto, engana-se quem pensa que a mitologia encontra-se presente apenas na literatura, pois podemos percebê-la também nas grandes epopeias, seriados, filmes e alguns jogos. Ela também exerce influência na origem de determinadas palavras, assim como a religião. Vejamos, pois alguns exemplos:


Badejo

Os badejos são peixes típicos de costões rochosos e recifes de corais, podendo também ser encontrados em tocas. Tal denominação originou-se do diminutivo de abadezinho, relativo ao espanhol, uma vez caracterizado por apresentar semelhanças com a indumentária dos abades – os quais representavam o governante de um dado mosteiro.
Eis que, assim, em meio a esse ínterim, constatamos a presença do fator religioso.


Calouro

Quem nunca foi calouro um dia? Certamente que todos nós já fomos recém-ingressados nesta ou naquela instituição, seja no ambiente de trabalho, escola, universidade, entre outras esferas sociais. O termo origina-se do grego calógeros, cujo significado se limita a velho bonito ou bom velho, denominação essa que se atribuía, na igreja grega, aos monges da Ordem de São Basílio e aos eremitas em geral. A estreita relação contida entre monge e estudante novato talvez se explique pelo fato de que os estudantes também vivem em repúblicas, pequenas comunidades.


Detestar

Quem detesta tem aversão a uma determinada pessoa ou a algo. Dessa forma, convém ressaltar que o vocábulo se origina do verbo latino detestari, cujo significado se refere a “afastar-se” de uma pessoa, tendo os deuses como testemunhas, que no latim se refere a testis.


Feira

Entende-se por feira um lugar aberto ao público no qual há comercialização de variados produtos. Suas raízes etimológicas estão condicionadas ao latim feriae, o qual significa dias de repouso em homenagem aos deuses. Na cultura romana, cada dia da semana era dedicado a uma das sete divindades representadas pelos sete planetas, os quais, segundo estes povos, se moviam ao redor da Terra: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. Motivo suficiente para a designação dos dias da semana nas línguas latinas, com exceção do nosso idioma, delineado pelo viés da religião. Assim, o domingo representa a primeira feira, fazendo referência ao latim feria prima. O sábado, por sua vez, manteve o nome judaico.


Golfinho

Tal termo origina-se do grego delphis por meio do latim delphinus. No português arcaico podemos encontrar dolfino, com a mesma acepção semântica. No que tange à mitologia, Delfos representava um herói grego que deu nome à cidade sagrada de Apolo, por vezes representado pela figura de um golfinho.

 
Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola
 

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