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O pensamento de Francis Bacon

Filosofia

Francis Bacon deixou uma grande contribuição para a Filosofia: sua teoria dos ídolos e o desenvolvimento de um método científico.
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Vida e obra de Francis Bacon

A biografia de Francis Bacon foi estudada por diversos ângulos. De aspectos mais gerais, temos a biografia de menos de dez páginas escrita por seu secretário William Rawley e na qual consta seu precoce desencantamento com a filosofia aristotélica. Dedicada aos aspectos filosóficos, temos a obra de Robert Ellis. Outras biografias concentram-se em sua vida política, em suas obras literárias e até mesmo na possibilidade de atribuir a Bacon a autoria de muitos textos reunidos sob o nome de Shakespeare.

Desse modo, se quisermos saber sobre a vida do filósofo nascido em Londres em 1561, não nos faltarão fontes. Alguns dos aspectos mais interessantes foram a sua ascensão na carreira política e a acusação de corrupção por ter recebido presentes de pessoas a quem julgaria. Embora condenado, Bacon alegava que os presentes aceitos não influenciaram sua decisão – há quem aponte, como Nicholas Fearn (2001, XII), que Bacon admitiu ter recebido presentes, mas de pessoas que haviam perdido seus processos.

Com a vida política, Bacon conciliava uma profícua atividade intelectual que resultou em muitas obras. Algumas, incompletas, foram publicadas depois da sua morte. Entre as principais, encontramos:

Advice to Queen Elizabeth (1585)

The Greatest Birth of Time (1585)

A Conference of Pleasure (1592)

Gesta Grayorum (1594)

Formularies and Elegancies (1594)

Of Love and Self-Love (1595)

Colours of Good and Evil (1597)

Meditationes Sacrae (1597)

Essays (1597)

Maxims of the Law (1597)

Declaration (1601)

Temporis Partus Masculus (1603)

De Interpretatione Naturae Proaemium (1603)

Apology in Certain Imputations Concerning the Late Earl of Essex (1604)

On the Proficience and Advancement of Learning Divine and Human (1605)

Instauratio Magna (1620)

Novum Organum (1620)

New Atlantis (1627)

O método de Bacon

Se os filósofos antigos estavam certos em colocar a natureza como ponto central em suas preocupações teóricas, segundo Bacon, eles falharam por não terem aplicado um método adequado que os possibilitasse a construção de um conhecimento mais sólido do que o conhecimento que a mente humana, em suas palavras, “errática” e “desordenada”, era capaz de construir por si mesma. A mente humana só pode ser ordenada por um conjunto de regras e, apenas após essa ordenação, é que podemos obter conhecimento.

O método que Bacon elaborou partiu da crítica do método de indução “vulgar” que, segundo ele, fora desenvolvido por Aristóteles. Nessa forma de indução, também conhecida como indução enumerativa, uma conclusão era elaborada a partir de um exemplo particular e aplicada de forma geral a outros casos.

Embora entre o método indutivo de Bacon, ao qual ele se refere como “indução eliminativa”, e a indução enumerativa possa haver pontos em comum, as diferenças são mais relevantes — “infinitas”, em suas palavras.

A primeira diferença é que Bacon pretendia com seu método examinar as coisas a partir de muitos exemplos e considerando os casos em que a conclusão não comprovaria a hipótese.

A segunda diferença é que, pelo seu método, Bacon não passaria com tanta pressa do particular para o geral, buscando uma ordenação entre aquilo que formulou a partir dos dados dos sentidos. O progresso do particular ao geral seria metódico e seguro para não correr riscos de afirmar proposições que não poderiam ser consideradas válidas depois de um exame mais atento.

Por fim, a indução eliminativa procura por causas e, assim, por meio dela, pode-se demonstrar alguma teoria e descobrir novas. A indução enumerativa, não, justamente por tirar conclusões sem analisar os fatos de forma segura.

A teoria dos ídolos:

O método indutivo foi criado por Bacon a fim de combater os erros provocados pelos ídolos, que, dentro da filosofia desse pensador, representam falsas noções, preconceitos e maus hábitos mentais. Bacon formulou a Teoria dos Ídolos para deixar o homem consciente das falsas noções que congestionam sua mente. Os ídolos podem ser de quatro gêneros: os ídolos da tribo, os ídolos da caverna, os ídolos do foro e os ídolos do teatro.

a) “Os ídolos da tribo estão fundados na própria natureza humana, na própria tribo ou espécie humana. (…) O intelecto humano é semelhante a um espelho que reflete desigualmente os raios das coisas e, dessa forma, as distorce e corrompe**”;

Assim sendo, os ídolos da tribo referem-se às noções fundadas na tendência do intelecto humano de misturar a própria natureza com a natureza das coisas que observa. Por isso, ele não as conhece verdadeiramente.

b) “Os ídolos da caverna são os dos homens enquanto indivíduos. Pois cada um – além das aberrações próprias da natureza humana em geral – tem uma caverna ou uma cova que intercepta e corrompe a luz da natureza: seja devido à educação ou conversação com os outros; seja pela leitura dos livros ou pela autoridade daqueles que se respeitam e admiram** (...)”

De acordo com essa ideia, os ídolos da caverna são aqueles que derivam da pessoa que está fazendo a análise, da sua natureza singular, formada pelas suas características mais fundamentais e também por hábitos cultivados, pela educação que recebeu ou pelas pessoas com quem conviveu.

c) “Há também os ídolos provenientes, de certa forma, do intercurso e da associação recíproca dos indivíduos do gênero humano entre si, a que chamamos de ídolos do foro devido ao comércio e consórcio entre os homens. Com efeito, os homens se associam graças ao discurso, e as palavras são cunhadas pelo vulgo. E as palavras, impostas de maneira imprópria e inepta, bloqueiam espantosamente o intelecto**”.

Assim, os ídolos do foro são aqueles formados a partir da linguagem, das palavras que, segundo Bacon, não são dominadas pela razão humana, como acreditamos. As palavras exercem grande impacto sobre a razão. Os ídolos que penetram no intelecto por meio das palavras podem ser: aqueles que atribuem nomes a coisas inexistentes, fazendo parecer que são reais (ex. Sorte), e também aqueles que atribuem nomes confusos e indeterminados a coisas que existem, formados a partir de abstrações impróprias delas.

d) “Há, por fim, ídolos que migram para o espírito dos homens por meio das diversas doutrinas filosóficas e também pelas regras viciosas da demonstração. São os ídolos do teatro: por parecer que as filosofias adotadas ou inventadas são outras tantas fábulas, produzidas e representadas, que figuram mundos fictícios e teatrais”.

Os ídolos do teatro são os derivados de doutrinas filosóficas e suas demonstrações que convencem o intelecto de ideias que não podem ser validadas. Para Bacon, há três tipos de ídolos do teatro: Os ídolos sofistas, os ídolos empíricos e os ídolos supersticiosos. Os primeiros são as conclusões baseadas em experiências que não foram provadas; os segundos se referem às conclusões tiradas de poucos experimentos sobre os quais se constroem sistemas filosóficos; os terceiros são as conclusões formadas como um amálgama entre filosofia, teologia e tradições.


Por Wigvan Pereira
Graduado em Filosofia

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