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Como funciona a tocha olímpica

Curiosidades

Apesar de o surgimento da tocha ter origem mitológica, seu funcionamento é explicado pela ciência.
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A Tocha Olímpica, um dos principais símbolos dos jogos olímpicos, é desenvolvida a cada edição do evento com base nas características do país onde os jogos devem acontecer. Além disso, a tocha é carregada de significados que remetem à Grécia Antiga, onde as Olimpíadas tiveram sua origem.

O fogo, que é ateado na pira olímpica no palco de abertura dos jogos, é aceso 100 dias antes do começo da competição, em Olímpia, na Grécia, a partir da luz solar. Antes de embarcar para a cidade-sede, a tocha acesa passa por algumas cidades gregas e outras localidades no país que receberá os jogos.

O revezamento da tocha, que antecede a abertura dos Jogos Olímpicos, é a representação de uma lenda grega. Nessa lenda, Prometheus (um titã defensor da humanidade) teria roubado o fogo, que representa a divindade e a sabedoria dos deuses, de Zeus e entregado aos seres humanos.

Além de todo o simbolismo cultural e histórico que permeia o acendimento da pira olímpica, existem algumas curiosidades sobre a tocha que podem ser explicadas pela ciência.

O acendimento

Na cerimônia para acender o fogo olímpico, protagonizada por onze mulheres caracterizadas como sacerdotisas, uma pequena quantidade de grama seca é colocada em um instrumento chamado skaphia (uma espécie de espelho côncavo que agrega os raios do sol em um só ponto). De acordo com o Professor Diogo Lopes, o formato da skaphia, associado ao fato de sua superfície ser feita de metal, faz com que a temperatura em seu interior aumente, provocando uma combustão.

O formato côncavo da skaphia concentra os raios solares em um único ponto, provocando uma combustão
O formato côncavo da skaphia concentra os raios solares em um único ponto, provocando uma combustão

Uma vez acesa, a chama da skaphia é passada para a tocha olímpica, que segue em revezamento até o local da abertura dos jogos. No entanto, não é somente a tocha que é acesa nessa cerimônia, o fogo também é transferido para uma espécie de lampião que tem combustível para durar 15 horas. São quatro os lampiões que viajam o mundo reacendendo a tocha.

Revezamento

Tradicionalmente os atletas e personalidades alternam-se para carregar a tocha até o acendimento da pira. Em geral, isso é feito por via terrestre, e o condutor faz o trajeto a pé, mas não é raro o fogo ser levado de carro, ônibus, bondinho e outros meios de transportes.

Em 1976, para a realização das Olimpíadas de Montreal, no Canadá, efeitos pirotécnicos foram usados para conduzir a chama. O fogo foi transformado em impulso elétrico e enviado de Atenas, via satélite, para ser reaceso no Canadá por meio de um feixe de laser.

Outra forma de transporte inusitada ocorreu nos jogos de 2000, realizados em Sidney, na Austrália. Durante o revezamento, mergulhadores carregaram a chama por debaixo d’água, no Mar de Coral, em Queensland. Para conseguir esse feito, o fogo foi preservado em uma lanterna contendo propileno, resistente à água.

O combustível

Como no botijão com gás de cozinha, o fogo da tocha olímpica é gerado pela combustão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), composto basicamente por propano e butano. Segundo as explicações do professor Diogo, no interior da tocha, o GLP encontra-se em estado líquido, mas há um sistema de diminuição da pressão interior que, quando acionado, causa evaporação da substância, transformando-a em gás.

O GLP evaporado é que gera combustão, mantendo a chama acesa. O cartucho com o gás é inserido na parte inferior e tem combustível para queimar durante 20 minutos apenas. Por isso, são fabricadas diversas tochas e é realizado o revezamento. Só para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, foram fabricadas 12 mil tochas.

A tocha não apaga?

Não há chama se não houver combustível e comburente (gás oxigênio), por isso, como qualquer outro fogo, o da tocha também tem prazo de duração. Sendo assim, é preciso repor combustível para que a chama permaneça acesa, e é isso que acontece durante o revezamento: tochas cheias de gás substituem aquelas que já queimaram por algum tempo.

Durante a passagem das chamas, a organização substitui tochas já queimadas por outras cheias de gás
Durante a passagem das chamas, a organização substitui tochas já queimadas por outras cheias de gás

A necessidade de repor gás justifica ainda os quatro lampiões que acompanham a tocha. A alternância da chama com a reposição do combustível ao longo dos dias garante que o fogo que acenderá a pira olímpica seja o mesmo que foi aceso em Olímpia. Diferentemente da tocha, os cartuchos desses lampiões podem ser substituídos.

De acordo com o Professor João Roberto Mazzei, do QG do Enem, os mecanismos desenvolvidos para manter o fogo da tocha aceso são projetados para resistir a ventos de até 120 km/h e a um nível de pluviosidade moderado, ou seja, de chuva. Por isso, graças ao seu sistema de proteção, localizado acima do queimador, o fogo não se apaga com facilidade.

A fabricação da tocha

Durante muito tempo, o material para produzir a tocha era o aço, o que a tornava bastante pesada. Atualmente, a principal matéria-prima é o alumínio, que, segundo o Professor Mazzei, diminui bastante o peso da peça. Para impedir o aquecimento da estrutura, existe um isolamento térmico logo abaixo da chama piloto, evitando que o calor expanda-se.

As características da tocha dependem da comissão organizadora do evento em cada edição
As características da tocha dependem da comissão organizadora do evento em cada edição

Cada cidade-sede desenvolve o design da tocha com base em características regionais. Para 2016, a peça tem cinco segmentos que se expandem e trazem cores diferentes, simbolizando o céu, as montanhas, o mar e o chão.


Por Rafael Batista
Equipe Brasil Escola

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